sábado, 24 de outubro de 2015

Vida.

Minha vida é como estar a deriva no mar
Vendo a dor e as chamas
No meu barco a afundar
É como estar perdido
Em nenhum lugar
O incerto é tão bonito
Caminhar sem tempo
Nem lugar pra chegar
É tão estranho perceber
Que só de olhos fechados eu consigo ver
É como só buscar a paz
Mas o coração quase implorar
Pelo caos e a perdição
O dia só começa ao acordar
Mas meus olhos não conseguem se fechar
A madrugada é meu lugar
A solidão é a companhia que eu quero ter
Se seu coração parasse de bater agora
De quem você iria lembrar
Quais seriam as últimas palavras
Que você ia dizer
Será que alguém iria chorar?
É tão difícil conversar
Diante de tantas máscaras e só mentiras pra contar
É impossível seguir e esquecer
Quando é no passado que se quer viver.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Olha o que o tédio fez comigo.

Me disseram tantas vezes pra esquecer
Que eu comecei a desconfiar de mim mesmo
O fracasso me beijou os dois lados do rosto
Antes de dormir
E eu não quis mais acordar
Eu falei mais do que ouvidos pra me ouvir
Voei mais alto que pude
Só não esperava cair
Quando se beija a lona
Você vê as costas de quem já viu amor
E eu amei mais do que um coração pode aguentar
Quando olhei pra trás
Vi pedaços de uma vida que eu não queria lembrar
Eu sei que teu sorriso
É pra alguém tão diferente de mim
Álcool, drogas e um cigarro barato
Esse sou eu visto do meu melhor lado
Decide logo se vai entrar ou vai sair
Eu não tolero a porta berta
E amanhã é tarde demais pra mim.

A vida lá fora.

Como é que eu não sei?
É sempre a mesma vida
Há muito tempo eu preferi esquecer
Eu parei de lembrar
Tudo que eu deixei pra trás
Parece que o passado não quer deixar
Olha o que ele fez comigo
Hoje eu sou tão frio
A mesma cidade que nos deixa tão perto
É a mesma que não me deixa te encontrar
Um prédio
Um andar
O tédio
A vontade de voar
Um filme sem final
Estamos tão longe no mesmo lugar
O medo da cidade me fez querer ficar
A vida é tão regrada
Cheia de mentiras
E apesar das feridas e das noites sem dormir
É sempre igual e sem saída
É sempre a mesma vida.


Brisa.

Quem disse que ela não fala
Eu converso toda a noite com a madrugada
Conto meus problemas
Meus medos
Meus defeitos
E ela chorando me confidência
Os mais íntimos segredos
Em forma de plágio
Como se fossem meus eu escrevo
Toda a solidão do breu
Eu sento na calçada
E escuto os murmúrios da noite
Entre o som do vento e seus sussurros
Eu me pergunto
Se não são minhas essas lágrimas em forma de palavras
A cada esquina
Mais um refrão
Da sofrida canção da madrugada.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mártir.

O que você está fazendo agora?
Esse sorriso é verdadeiro
Ou só está fingindo ser feliz?
Quando era só você
Nas noites sem dormir
Era mesmo aqui
Que você queria chegar?
O mundo era tão pequeno pros teus sonhos
Porque agora ele parece grande demais?
O relógio não te deixa em paz
É sempre acordar,correr e voltar
Sempre pro mesmo lugar
Entre um cigarro e outro
Você pensa em fugir
E só depois de alguns copos você consegue dormir
Olhar pra trás é sempre saudade
Mas não tem sentido olhar pra frente
Quando ficou pra trás tudo o que se sente
Então meu amigo
Quem disse que é errado desistir?
Porque fazer algo que não te faz feliz?
Será mesmo que felicidade é só o que a sua TV diz?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Medianera.

Hoje resolvi voltar
Como esperado tudo é tão igual
Olho sua foto toda noite
Sabendo que não vai mudar
Guardo em meu bolso
Com alguns cigarros,alguns trocados
Com a vontade de não querer ficar
Minha vida se tornou um filme cult
Incompreendido,sem brilho,sem pretensão de agradar
Algo que só você mesmo poderia gostar
São todos tão iguais
Indo para o mesmo lugar
Todos saem pra esquecer
Mas não param de pensar
Eu tenho tanto pra falar
Tudo que você já quis ouvir
Mas não é da minha boca que você quer escutar
Mais uma garrafa
Mais uma noite igual
Amanhã faço tudo de novo
Esperando um novo final.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tempo.

Eu não consigo encontrar a paz
Quanto mais o tempo passa
Mais eu quero voltar
Parece que os meus dias são iguais
É errado não querer viver?
Desistir de caminhar?
Olhar pra frente e não ver?
Só enxergar motivos pra querer voltar
Tudo que me fazia sorrir agora soa tão vulgar
O que era chato agora é tudo que eu quero escutar
As ruas eram tão cheias de vida
Hoje estão vazias
Ficaram mudas e cheias de agonia
Quebrar o relógio não faz o tempo parar
A cada dia a vida corre mais e mais
A cada esquina o vento sussurra que o tempo cobra caro
De quem se preocupou com o que nunca fosse chegar
O que fazer agora
Se há tanto pra dizer
E ninguém pra me escutar
É quando o passado encontra o presente
A primeira coisa que se sente é mesmo querer voltar.